Indústria de telecom começa a enxergar o agro como oportunidade de negócios

A expansão da tecnologia da informação no campo, puxada pela adoção cada vez mais frequente de soluções digitais na agricultura, vem, finalmente, despertando a atenção da indústria de telecomunicações [operadoras, fabricantes, prestadores de serviços, etc.] para as [boas] oportunidades de negócios no universo agrícola. Foi o que a reportagem do Portal DATAGRO constatou na mais recente edição da Futurecom, principal feira do País do segmento de telecom, realizada na última semana em São Paulo (SP). 

A realidade é que o desafio de conectividade na área rural é, ainda, acentuado, devido, principalmente ao fato que falta infraestrutura básica para comunicação de voz e dados na maior parte do interior do País. De maneira geral, as operadoras de telecom enfrentam um problema de viabilidade econômica no campo – baixa densidade populacional na comparação com o meio urbano, ou seja, menos gente para pagar a conta – que justifique o investimento em infraestrutura, leia-se, instalação de torres e de dispositivos de transmissão, por exemplo. 

No entanto, este quadro começa a mudar ancorado em modelos de negócios de caráter corporativo, no qual a demanda – por serviços de voz e dados – de um grande cliente viabiliza a implantação de infraestrutura de telecom por parte das operadoras, que desta forma conseguem justificar o investimento e medir de modo mais preciso a possibilidade de retorno. 

Cliente corporativo

Este é o caso de recente iniciativa da TIM, em parceria com outros players da indústria de telecom, entre os quais Nokia, BRFibra, BRDigital, que ativou a cobertura 4G na Fazenda Panorama, pertencente a SLC Agrícola, no município de Correntina (BA). 

Segundo Alexandre Dal Forno, diretor da TIM Brasil, o projeto utiliza tecnologia celular da Nokia para oferecer cobertura de voz e dados em uma área de 22 mil hectares, com a conexão via Internet das Coisas (Iot) de 23 máquinas agrícolas e dez coletores de dados. De acordo com o executivo, esta é a segunda experiência da empresa neste formato, modelo que teve sua estreia em propriedade do grupo Jalles Machado na cidade de Goianésia (GO). 

Alexandre Zibordi, diretor da Ericsson, diz que é o avanço da Iot no dia a dia da atividade agropecuária, que vem funcionando como indutor para investimentos em infraestrutura de telecomunicações no campo, seja por meio da instalação de redes públicas – como no caso das operadoras – ou privadas, como, por exemplo, o avanço da tecnologia LoRa nas fazendas. A multinacional de origem sueca estuda trazer para o Brasil plataformas de soluções digitais para agricultura – já adotadas em outros países, como Japão e Austrália – dedicadas ao monitoramento e controle de irrigação e melhor uso de agroquímicos. 

Na avaliação de Ricardo Bueno, da Nokia, o maior uso e/ou liberação de frequências que propiciam um raio maior de alcance do sinal de transmissão, bem como que comportam o tráfego de grandes volumes de dados são outros fatores, estes técnicos, que vêm ampliando a conectividade no campo. 

Contudo, segundo Fernando Martins, do Conselho de Administração em Empresas do Agronegócio, Educação, Bancos, Seguradoras e Inovação Tecnológica, melhorar a conectividade na área rural é, apenas, o primeiro passo. Segundo ele, a expansão efetiva da Iot no campo passa pelo estabelecimento de um padrão brasileiro de interconectividade, o qual permita que os dados trafeguem livremente entre todos os dispositivos, sejam eles sensores, máquinas e implementos agrícolas, smartphones, tablets, entre outros.