Agro brasileiro deve cobrar ágio por ser sustentável

O presidente da John Deere no Brasil, Paulo Hermann, defendeu nesta terça-feira (23), durante palestra no Congresso das Mulheres do Agronegócio, em São Paulo (SP), que o agro brasileiro comece a cobrar ágio pela sustentabilidade da nossa produção agrícola.

“Que país no mundo preserva 66% do território com mata nativa, sendo praticamente um terço disso dentro das propriedades rurais”, indagou o executivo ao se referir a recentes números da Embrapa – referendados pela Nasa – sobre o estágio de proteção ambiental no Brasil.

Segundo Hermann, o empresário rural brasileiro, que produz soja numa fazenda totalmente certificada do ponto de vista dos conceitos de sustentabilidade, tem sim que pedir sobrepreço pelo seu produto. “A sociedade, a comunidade internacional quer cada vez mais saber da originação do produto, de rastreabilidade, querendo produtos sustentáveis, mas precisa pagar por isso.”

De acordo com o executivo, o mesmo raciocínio, vale, por exemplo, para a carne “carbono neutro”, que a Embrapa vem desenvolvendo, caracterizada por bovinocultura desenvolvida em excelentes pastos, que funcionam como instrumentos de sequestro de carbono. “Chegou a hora de trabalharmos atributos de marca, sustentabilidade, indo além da commodity.”

Geopolítica do agro

Em sua apresentação, Hermann também ressaltou que em se tratando de geopolítica agrícola, o Brasil precisa exportar a sua tecnologia de produção para a África, região de características similares à nossa, e que pode se transformar em um grande celeiro de alimentos. “É uma oportunidade de negócio para nós.”

De acordo com o executivo, a Ásia, especialmente a China é sem sombra de dúvidas nosso principal cliente agrícola, e que devemos cada vez mais investir nesta corrente comercial, buscando incorporar a venda de proteína animal [carnes], e não só commodities.

Hermman pontuou, ainda, que, de maneira geral, a América Latina entrará em um novo período de crescimento, porque se trata de uma questão cíclica. Ademais, o executivo acentuou que a população urbana dos países desenvolvidos, especialmente a europeia, irá cada vez mais contestar os pesados subsídios locais destinados à agricultura, “o que será bom para nós”.

Em termos técnicos, Hermann frisou que o plantio agrícola avança cada vez mais para o conceito de singularização, com cada semente no seu lugar exato, e com janelas de plantio mais curtas. “Este cenário cria um desafio para nós fabricantes no tocante a criarmos máquinas agrícolas cada vez mais eficientes.” Neste aspecto, o executivo declarou que tratores autônomos estarão disponíveis comercialmente para agricultura em um prazo de três anos.