Foi realizado nesta segunda (26), na unidade da GEO Energética em Tamboara, (PR) o abastecimento do carro produzido pela AUDI o modelo A5 Sportback G-Tron com biometano produzido pelo grupo ACESA com Biogás GEOENERGÉTICA obtido por reciclagem dos resíduos da cana de açúcar. O evento organizado pela GEO e pela Audi foi acompanhado pela DATAGRO Consultoria.

As pesquisas para o desenvolvimento da tecnologia de produção de energia e biogás a partir dos resíduos da cana-de-açúcar foram iniciadas em 2006. Em parceria com a Coopcana para o fornecimento dos resíduos, em 2011, a GEO implementou sua primeira planta comercial numa área de dez hectares no noroeste do Paraná. Esta planta já está produzindo 4 MW de energia elétrica, a partir da reciclagem da vinhaça, torta de filtro, e despachada para a Companhia Paranaense e Energia Elétrica (COPEL).
De acordo com Alessadro Gardemann, diretor da GEO, a companhia pretende aumentar sua capacidade de geração para 10 MW e tem potencial para produzir 16MW. O presidente da usina Coopcana, Germano Sordi, também esteve presente no evento e apresentou total entusiasmo com a nova rota de diversificação do setor sucroenergético. Sordi apontou quem tem interesse de ampliar a parceria com GEO/ ACESA e espera que em futuro breve sua frota de caminhões e outros maquinários possam operar usando biometano.
Na ocasião, Gabriel Kropsch – Diretor da Acesa disse que o biometano é mais um passo na evolução do modelo de negócios da Geo Energética. “Essa parceria é importante, não só na produção de energia elétrica, mas também na produção de biometano, para que de ponta a ponta, esse resíduo, que na agroindústria é um passivo ambiental, se torne um ativo energético, substituindo o combustível fóssil”.
O modelo A5 é equipado com um motor 2.0 TFSI, que desenvolve 170 cv de potência e 270 Nm de torque. O motor recém-desenvolvido é baseado no 2.0 TFSI movido a gasolina. No ciclo de condução padrão, o A5 com câmbio S tronic utiliza apenas 3,8 kg de gás a cada 100 km rodados, com emissões de CO2 de 102 g/km. No funcionamento com gasolina, por exemplo, o motor consome 5,6 litros de combustível, correspondendo às emissões de CO2 de 126 g/km.
Com os testes realizados no Brasil, o modelo fez teve um desempenho de 27km/m³ na estrada. Desde abril, o veículo já rodou 11 mil km, sendo que 9 mil deles foram rodados com o GNV, com um consumo em torno de 390 m³ de gás. Na comparação com a gasolina, o biometano se mostrou bem vantajoso. “O preço médio do km rodado foi de R$ 0,16 no gás, contra R$ 0,35 na gasolina”, destaca o engenheiro da Audi, Gabriel Amabile
Com esses números, a Audi pretende reduzir as emissões de CO2 em 80%. O biometano é produzido usando energia renovável a partir de água e CO2 ou de materiais residuais orgânicos, como aparas de palha e plantas.
Oportunidade de crescimento – O Brasil tem enorme potencial para o aproveitamento conjunto da produção de biogás e biometano e de tecnologias automotivas que viabilizem o seu aproveitamento. Além de veículos de passeio modernos e eficientes, a tecnologia também é utilizada em equipamentos agrícolas e industriais que já estão prontos para serem utilizados, tais como tratores, caminhões e colheitadeiras. Segundo estimativas da ABiogás, o Brasil tem potencial para produzir 82 bilhões de metros cúbicos por ano de biogás. Considerado o país com o maior potencial de produção de biogás no mundo, o Brasil hoje tem matéria-prima para suprir, através do biogás e do biometano (biogás purificado), 70% do consumo nacional de diesel, ou 36% do consumo de energia elétrica. O setor sucroenergético é a grande promessa para o biogás, com potencial para gerar 41 bilhões de m³/ano. Em seguida, vem a agroindústria com 38 bilhões metros cúbicos, e saneamento com 4 bilhões de metros cúbicos.
A DATAGRO enviou dois representantes para o evento, João Otávio Figueiredo e o Dr. Hermelindo de Oliveira. Ambos comentaram que com o RENOVABIO, que está em fase final de regulamentação, as plantas que utilizarem essa tecnologia serão premiadas com notas de eficiência melhores, e consequentemente, ganhos econômicos e sociais, tendo por fim, como grande beneficiário o consumidor final.