A pecuária brasileira e argentina presenciou mudanças drásticas em suas exportações, principalmente no que diz respeito ao mercado consumidor asiático. Desde 2018, os países da região enfrentam o avanço da Peste Suína Africana (PSA), uma doença fatal para os porcos, mas sem riscos aos humanos.
Vale lembrar que a China é o maior consumidor da proteína no mundo e o maior produtor também. Porém, o país viu sua oferta de leitões diminuir drasticamente de 2018 para cá por conta da doença.
Segundo o último levantamento da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, sigla em inglês), em 2019, foram abatidos 7,242 milhões de porcos em áreas asiáticas por conta da PSA, atualização até o dia 21 de novembro deste ano. Apesar da pior condição ser do Vietnã, com 5,88 milhões. Um aumento de 100 mil animais em relação ao levantamento anterior da FAO de 24 de outubro.
No dia 3 de outubro, a FAO divulgou no mês de setembro que foram abatidos 6,692 milhões de suínos anuais por conta da contaminação. Esse número já era um aumento de 414.000 em relação ao relatório anterior, referente ao mês de agosto.
Exportações
Com o problema da PSA, o governo chinês está tendo que optar pela importação de carnes (suína, bovina e aves) para suprir seu mercado interno, e com a guerra comercial que se iniciou quase no mesmo período, Pequim tomou algumas atitudes como considerar a pecuária da América do Sul apta para exportação, mesmo com sua avaliação rigorosa.
Tanto o Brasil quanto a Argentina já haviam divulgado em seus portais oficiais as reuniões com o setor pecuário a fim de explicar as exigências do GACC (Órgão Sanitário Chinês) para que os produtos fossem aceitos nos últimos meses.
Brasil
Brasil e Argentina foram os países que registraram o maior número de plantas frigoríficas aprovadas pelo GACC nestes últimos 16 meses. No caso brasileiro, só no mês de setembro 2019, 25 plantas frigoríficas foram aprovadas, mas as negociações vêm desde setembro de 2018, durante o governo de Michel Temer, conforme a situação foi se agravando.
Em novembro deste ano, mais 13 frigoríficos foram autorizados pelo GACC. O Brasil possui hoje 102 frigoríficos aptos para exportação de carne suína, bovina e frango para os chineses.
A ministra da agricultura, Tereza Cristina, vem demonstrando satisfação nas aprovações, anunciando boa parte delas em seu Twitter. De fato, as aprovações são boas tanto para a balança comercial brasileira, quanto para a maior competitividade da carne nacional no mercado exterior.
Desde maio de 2019, o governo brasileiro vislumbrava ganhos com os problemas sanitários chineses por conta da PSA. O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, em visita à China, declarou interesse em intensificar parceria comercial com o gigante asiático.
Argentina
Os “Hermanos” não ficam para trás, tendo um desempenho muito semelhante ao do Brasil. No mês de novembro, segundo levantamento da DATAGRO, foram aprovadas 19 plantas. A diferença entre os dois países sul-americanos, é que a Argentina exporta mais carne bovina à China, apesar de ter tido sua primeira planta suína aprovada em novembro.
De acordo com as informações dos dados alfandegários chineses, cerca de 185.604 toneladas da carne argentina, ou seja 21,7% das importações do país enquanto o Brasil tem uma fatia pouco menor, 21,03% em 2019.
Vale lembrar que o país tem passado por uma longa crise financeira, por isso, essas novas negociações, que se intensificaram durante a gestão de Maurício Macri, ajudaram na balança comercial e, consequentemente, na economia do país, que precisa pagar dívidas altas e firmar novos acordos para evitar calotes aos credores internacionais.
Somente nos primeiros nove meses de 2019, a Argentina teve receita de US$ 2 milhões com exportações apenas da proteína bovina.
Saiba mais sobre PSA
Segundo informações da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), a Peste Suína Africana (PSA) é uma doença contagiosa entre os suínos, causada por um vírus composto por DNA de fita dupla, pertencente à família Asfarviridae.
A PSA tem sido observada desde o início do século 20 no Sul e Leste africanos e inicialmente era caracterizada pelos aspectos clínico-patológicos semelhantes à peste suína clássica (PSC). No entanto, posteriormente, foi observado que as duas enfermidades eram distintas.
A suspeita inicial da PSA baseia-se principalmente na observação dos sinais clínicos de doença hemorrágica. Porém, o uso de técnicas laboratoriais, como as moleculares, é imprescindível para a confirmação do diagnóstico. Não existe vacina ou tratamento para PSA.
Em setembro de 2018, o vírus da PSA foi detectado em suínos de subsistência na China e na Romênia e em javalis na Bélgica. Nestes surtos, a fonte comum de infecção foram restos de alimentos contendo produtos não cozidos, derivados de suínos e contaminados com o vírus.