Commodities sentem os efeitos do coronavírus na China

O mercado demonstra sinais de pessimismo esta semana, com commodities como o petróleo e a soja sendo fortemente pressionadas. As perspectivas são de limitação no crescimento do país asiático por conta do novo coronavírus. Entretanto, Pequim já tem trabalhado para contenção do problema.

Em uma semana, as cotações do petróleo WTI nos Estados Unidos caíram mais de 5%, saindo de US$ 58.52/barril na quinta-feira (16) para US$ 55.59/barril ontem (23). No mercado de grãos na Bolsa de Chicago, a soja durante o mesmo período registrou perdas de pouco mais de 1,5%, indo de US$ cents 924.00/bushel para US$ cents 909.50/bushel.

Nesta sexta-feira (24), às 13 h 37, o petróleo WTI e a soja seguiam em queda, cotados a US$ 54.06/barril e US$ cents 904.50/bushel, respectivamente.

A preocupação do mercado é agravada por conta do feriado do Ano Novo Lunar na China neste final de semana, que contribui para uma diminuição do consumo, turismo e atividades internas. O governo chegou já cancelou as festividades na capital a fim de evitar a aglomeração de pessoas.

O atual surto já levou a óbito 25 pessoas e mais de 800 foram infectadas. Alguns países como, Estados Unidos, Japão, Tailândia, Taiwan, Coreia do Sul, Vietnã, Singapura e Arábia Saudita já registram casos do novo vírus, mas de forma isolada.

“É evidente ser muito cedo para qualquer afirmação mais categórica sobre a amplitude e os impactos desse novo vírus. E a postura do mercado é exatamente essa, como não se sabe o que vai acontecer, se protege. O receio maior é que a crise se transforme efetivamente em problema econômico, com retração do emprego e do consumo. Em termos práticos, para o setor de grãos só haverá impacto efetivo caso o consumo no país seja afetado. Por enquanto a queda é apenas preventiva”, afirma o coordenador de grãos da DATAGRO Consultoria, Flávio França Jr.

SARS

Não é a primeira vez que a China enfrenta uma epidemia com efeitos econômicos subsequentes. Em 2002, enquanto o país se recuperava do estouro da bolha da internet de 1997, a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) apareceu na cidade de Guangzhou.

As perdas causadas pelo contágio foram estimadas em US$ 1,6 bilhão, implicando diversos setores, como manufaturados, turismo, comércio, empregos e importações.

A epidemia se espalhou pela Ásia e o governo de Singapura naquele período colocou em prática um pacote de US$ 170 milhões de dólares para compensar o desemprego e a estagnação da economia.

Durante os nove meses do surto, foram registrados mais de 8 mil casos de SARS e 775 pessoas morreram – 648 delas na China e Hong Kong.
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