Entenda o circuit breaker acionado nas Bolsas de Valores durante a semana

Em momento de pânico diante da pandemia do COVID-19 e queda do Petróleo WTI, o circuit breaker tentou conter um cenário expressivo de volatilidade e desvalorização brusca nas bolsas de valores na última segunda-feira, dia 06. As negociações da Bolsa Brasileira (B3) chegaram a ser suspensas entre 30 minutos e 1 hora e em Nova York (NYSE) foram suspensas por 15 minutos.

A famosa segunda negra se repetiu e deixou o mercado financeiro em colapso com o WTI atingindo a maior queda diária desde a Guerra do Golfo, em 1991. O Ibovespa também caiu para os 85 mil pontos na segunda-feira (09), o Dow Jones para 24 mil pontos e o Dólar Comercial chegou ao patamar de R$ 4,75 (na quinta-feira, dia 12, atingiu o recorde histórico de R$ 5,00).

Para conter as fortes desvalorizações, o 18º circuit breaker foi acionado na B3 após a queda de mais de 10% na abertura do pregão do dia 09 de março de 2020. A partir de então, as negociações (ordens de compra e venda dos investidores) passaram a ser balanceadas e reabertas. Na quarta-feira, dia 11, o blindador foi novamente acionado -19ª vez- depois que a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou o COVID-19, coronavírus, como pandemia.

Já na NYSE, o escudo passou a ser acionado depois que o S&P 500 caiu 7%, maior queda diária desde a crise financeira de 2008.

No dia 12 de março, quinta, o Ibovespa iniciou o dia com perdas superiores a 11%, paralisando os negócios pela terceira vez na semana durante 30 minutos. Em seguida, às 11 h 12 (horário de Brasília), recuou 15,43% e o 2º circuit breaker do dia foi acionado por uma hora. O índice teve o seu pior desempenho desde 1998 e a última parada nas negociações de forma dupla em uma mesma sessão não acontecia desde a crise de 2008.

O Dólar Comercial ultrapassou as expectativas de economistas brasileiros e chegou ao patamar recorde histórico de R$ 5,00 na quinta-feira diante da evolução do número de casos do COVID-19 no Brasil, com 77 casos de infecção registrados – atualizados para 98 nesta tarde -.

Próximo ao fechamento desta sexta-feira, dia 13, o Ibovespa acumulou uma queda de -15,63% na semana. Enquanto o Dólar Comercial foi valorizado em 1,69%.

O índice Dow Jones Industrial teve uma retração semanal de -2,79%, o Petróleo WTI, -25,23% e a soja, na Bolsa de Chicago (CBOT), -4,77%.

COVID-19

Também conhecido como coronavírus, o COVID-19, teve o primeiro caso registrado em Wuhan, na China, no dia 31 de dezembro de 2020 e se espalhou para um total de 122 países em dois meses e meio, segundo os dados atualizados da OMS. Até o momento, cerca de 142 mil pessoas foram contaminadas no mundo e 5.375 mortas pelo vírus chinês.

Inicialmente, a cidade epicentro da atual pandemia ficou isolada e reduziu o número de casos. Na semana passada, a Itália se isolou do mundo para cuidar de seus cidadãos depois que o país foi considerado o segundo com maior registro de infecções do coronavírus. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decretou há pouco estado de emergência na nação.

Sendo assim, o mercado financeiro global segue acompanhando e assimilando a possibilidade de a pandemia deixar sequelas mais profundas no crescimento da economia global, que já está comprometida. A Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad, sigla em inglês) apontou em sua nova projeção que o mundo deve perder em torno de até US$ 2 trilhões e um impacto de mais de US$ 220 bilhões aos países emergentes.

O Federal Reserve (FED, banco central dos Estados Unidos), reduziu a taxa básica de juros do país em 0,5 ponto percentual no dia 03 de março, terça-feira. Os juros passaram a faixa de 1% a 1,25%. Membros do banco devem se reunir na semana que vem para novas análises econômicas em meio à pandemia. Cerca de US$ 1,5 trilhão foram injetados para estimular a economia norte-americana em meio à crise sanitária nesta semana.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) norte-americano também se encontra nos próximos dias 17 e 18 de março para novas decisões importantes sobre as taxas e o crescimento da oferta monetária do país.

Guerra comercial do petróleo

Na última quinta e sexta-feira, 5 e 6 de março (respectivamente), os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e seus aliados, grupo conhecido como OPEP+, se reuniram na Áustria. As discussões realizadas giraram em torno de possíveis cortes de 1,5 milhão de barris por dia (bpd) na produção dos países membros em meio à queda na demanda pelo coronavírus.

Porém, as reuniões foram encerradas com desentendimentos entre as nações já que os russos não concordaram em realizar a redução na oferta. Com isso, o governo da Arábia Saudita anunciou no mesmo dia um aumento do seu nível de produção de petróleo como forma de pressionar a Rússia para novas negociações ou deixar o mercado com uma super oferta.

O Ministério da Energia saudita ordenou no dia 11 de março que a maior petrolífera estatal do país, Saudi Aramco, aumentasse a capacidade de produção para 13 milhões de barris por dia (bpd), acima dos 12 milhões de bpd atuais.

O Petróleo WTI, negociado na Bolsa de Nova York, finalizou o dia dos desentendimentos, 06 de março, com queda de 9,39%, a US$ 41.59/barril. Hoje, próximo do fechamento do dia, subia 5,90%, a US$ 33.15/barril.