Entenda como a produção de petróleo do Irã foi impactado diante de acontecimentos no Oriente Médio

A DATAGRO reuniu dados de produção de petróleo disponibilizados pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), entre 1960 até 2018, para verificar como a oferta do país foi influenciada durante importantes momentos do Irã, que está entre os 10 maiores produtores globais.

O país persa passou por inúmeros fatos políticas nesse período. A queda do Xá Mohammad Reza Pahlavi, em 1979, movimentações sociais e a ascensão do governo xiita, comandado pelo primeiro aiatolá Ruhollah Musavi Khomeini, além de guerras com as potências regionais e interferências dos EUA.

O Irã faz parte dos países fundadores da OPEP, em 1960, em Bagdá, junto do Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela. Os países membros da organização possuem 75% das reservas mundiais de petróleo, que suprem cerca 40% da produção mundial e 60% das exportações mundiais.

Governo do Xá

Como citado anteriormente, o Xá Pahlavi iniciou seu governo no início dos anos de 1940, e as produção de petróleo da região cresceu durante sua gestão. Em 1960, o Irã produzia 1.068 mil barris por dia (bpd) e em 1971, uma década depois, a produção chegou em 4.540 mil bpd, crescimento de 325%.

Apesar disso, Xá nem sempre fora uma figura suprema. Isso ocorreu com a deposição do antigo primeiro-ministro, Mohamed Mossadegh (1951-1953) após a nacionalização da Anglo-Persian Oil Company (APOC), de propriedade britânica.

Nos anos de 1971, o Irã já se consolidava uma referência regional no setor de energia e o país passou a ter influências do ocidente. Em cinco anos, de 1971 a 1976, a produção passou de 4.540 mil bpd para 5.883 mil bpd, alta de 25,5%. De 1976 a 1978, a produção recuou, para 5242 mil bpd em 1978.

A produção de petróleo recuou durante a queda de Xá Pahlavi. Após quase 20 anos de grandes volumes produzidos, em 1979, o Irã produziu apenas 3.168 mil bpd, ano da ascensão do líder seguinte Aiatolá Khomeini.

Guerra Irã-Iraque

A subida de poder de Khomeini fez com que governos locais temessem que revoltas parecidas ocorressem em seus respectivos países. Essas rusgas geraram a guerra Irã-Iraque. O Iraque era governado pelo recém-empossado (1979-2003), Saddam Hussein.

Ao comparar as produções iniciais de cada década no Irã, 1971 e 1980, é notável a desaceleração, indo de 4.540 mil bpd para 1.467 mil bpd, queda de aproximadamente 67%. O fraco desempenho se sucedeu ao longo de quase toda a década de 1980 com a guerra. O conflito terminaria em 1988. Durante todo o período, a média produzida de petróleo foi de 2.070 mil bpd. Em 1989, a produção foi de 2.814 mil bpd. O Aiatolá Khomeini faleceu nesse ano por motivos de saúde.

Pós-guerra

Toda a década de 1990 foi marcada pelo processo de reversão de perdas e recuperação da economia iraniana e a ascensão do novo líder supremo, Ali Khamenei. Além disso, o Irã continuou a usar uma influência nos países da região.

A produção no ano de 1990 foi de 3.135 mil bpd, 113,7% acima do início de 1980. Esse patamar se manteve em toda a década, com aumentos momentâneos, mas sem alcançar os níveis das décadas de 1970 e 1980. A média de produção dos anos de 1990 foi de 3.494 mil bpd.

Na comparação entre décadas, 1980 registrou uma média de 2.070 mil bpd e 1990, 3.494 mil bpd, um aumento de mais de 68%.

Anos 2000

Na virada do milênio, a produção de petróleo registrou um leve crescimento na primeira metade dos anos 2000, atingindo no ano 3.661 mil bpd. Em 2001, houve o ataque ao World Trade Center nos EUA pelo grupo Al-Qaeda, causando uma presença mais intensiva norte-americana no Iraque, já sob o governo de George W. Bush.

A empreitada norte-americana no Iraque, após o atentado, derrubou um velho inimigo do Irã, Saddam Hussein. Em 2001, a produção foi de 3.248 mil bpd, de 3.248 mil bpd em 2002, 3.742 mil bpd em 2003 e em 2004 atingiu 3.834 mil bpd, segundo dados da OPEP.

A necessidade de proteção das fronteiras e garantia da soberania persa culminou na ascensão do presidente Mahmoud Ahmadinejad, em 2005. Durante seu governo, a produção do petróleo voltou a ultrapassar os 4.000 mil bpd. Isso até 2009, quando voltou a cair para 3.557 mil bpd.

O retorno das grandes produções iranianas veio ao encontro do restabelecimento do programa nuclear, duramente criticado por diversas potências mundiais. A reeleição de Ahmadinejad, em 2009, foi marcada por uma série de protestos, o chamado Movimento Verde Iraniano, mas que não impediu a posse do ex-presidente.

A primeira década dos anos 2000 elevou a produção iraniana para média de 3.764 mil bpd. No comparativo com anos de 1990, 3.494 mil bpd , um aumento de mais de 7,5%.

2011-2018

Os dados coletados da OPEP pela DATAGRO vão até o ano de 2018, não finalizando o balanço da segunda década. Ainda nesse período, ocorreu em 2013, a sucessão de Ahmadinejad para Hassan Rohani, o atual presidente que governa ao lado do Aiatolá Khamenei. No período de 2011 até 2018, a produção de petróleo se manteve sem muitas mudanças, com média de 3.529 mil bpd.

O governo de Rohani é considerado mais moderado internacionalmente do que seu antecessor, Ahmadinejad.