O primeiro semestre de 2020 terminou com a China comprando apenas 23% da meta estabelecida no acordo comercial “fase 1” assinado com os Estados Unidos no início do ano, totalizando US$ 170 bilhões, segundo dados alfandegários chineses. Ainda são necessários US$ 130 bilhões para que o acordo seja alcançado.
As compras até aceleraram nas últimas semanas, principalmente relacionadas aos produtos agrícolas, com anúncios seguidos de venda de grãos. Porém, os recentes tensionamentos entre os países colocaram mais dúvidas sobre o cumprimento do documento.
Na sexta-feira (24), a China ordenou o fechamento do consulado dos Estados Unidos na cidade de Chengdu, Sudoeste do país, e ocupou o local. A decisão veio após os EUA fecharem a embaixada em Houston, Texas, com alegações de crime cibernético nas pesquisas de vacinas contra o Covid-19.
Ainda no final da última semana, o Departamento de Agricultura do Arkansas emitiu um aviso para que produtores não plantem sementes desconhecidas que estão sendo recebidas, elevando a tensão entre as potências. “Os pacotes foram enviados por correspondência e parecem ter escritos em chinês”, disse o comunicado.
Os Departamentos de Washington, Louisiana, Kansas e Virgínia também confirmaram nesta semana recebimentos por produtores, com temores de que possam ser plantas invasoras ou nocivas para a agricultura local. Ainda não houve confirmação sobre a origem ou os tipos das sementes.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin, disse hoje que o serviço postal do país segue todos os trâmites necessários para envios do tipo.
Ainda que as compras estejam distantes da meta de elevação de US$ 200 bilhões em produtos e serviços dos EUA até fim de 2021, sobre os níveis de 2017, as compras chinesas aumentaram nas últimas semanas em manufaturados, energia e agricultura. Há duas semanas, os chineses compraram recorde de 1,76 milhão de t de milho da safra 2020/21 em um único dia, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, sigla em inglês).
Nesta semana, as vendas acima de 100 mil t, reportadas pelo USDA com base nos dados informados por exportadores ocorreram apenas ontem (27). Foram 132 mil t de soja para a China com entrega no ano comercial 2020/21, além de 250,37 mil t da oleaginosa para o México no mesmo período.