Fazendas de café de pequenos e médios produtores de Minas Gerais e do Espírito Santo estão investindo em inovação tecnológica, gerencial e comercial, e consequentemente conseguindo reduzir custos e ganhar competitividade no mercado. É o revela uma série de estudos de caso, elaborados por professores-pesquisadores do Pensa – Centro de Conhecimento em Agronegócio da Fundação do Instituto de Administração (FIA), da USP – sobre oito propriedades rurais dos dois Estados. Os resultados foram divulgados na última semana em São Paulo (SP).

O professor Décio Zylbersztajn apresentou os estudos de caso das fazendas da Serra [Botelhos], Passeio e Lagoa [Monte Belo] e Caxambu [Três Pontas], localizadas no sul de Minas Gerais. Segundo Zylbersztajn, estas propriedades rurais vêm se destacando pela customização de tecnologia/equipamentos utilizados no dia a dia da lavoura, assinatura de contratos de longo prazo, contratação de prestadores de serviço ao invés de compra de maquinário, busca por diferenciação e atuação como exportadores diretos negociando com o cliente final.
Já o professor Samuel Ribeiro Giordano foi o responsável por divulgar os estudos de caso relacionados às fazendas Jatobá e São Paulo, localizadas no município de Patrocínio, no Cerrado Mineiro. De acordo com Giordano, estas propriedades se destacam pelo investimento em cafés especiais com selo de denominação de origem, marcas próprias e estímulo a boas práticas de manejo, com foco na sustentabilidade.
Por fim, a professora Christiane Leles Rezende De Vita apresentou os estudos de caso das fazendas Retiro e Educampo, ambas de Manhuaçu/MG, e do sítio Conquista, localizado em Venda Nova do Imigrante, no Espírito Santo. Segundo Christiane, estas propriedades vêm investindo na agregação de valor de uma agricultura de pequena escala, gestão compartilhada de custos e uso racional de insumos. Na avaliação geral de Zylbersztajn, estas fazendas despontam como exceções em um agronegócio ainda pautado por uma visão produtivista, onde a preocupação do produtor rural termina na porteira da fazenda.