A colheita da segunda safra de milho iniciou-se de forma intensiva na última semana de junho no Paraná, informa o Departamento de Economia Rural (Deral), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado. Segundo o técnico do Deral, Edmar Gervásio, a produtividade esperada é superior a 5.700 quilos por hectare, que pode resultar no final da safra em uma produção total superior a 13,8 milhões de toneladas.

De acordo com Gervásio, para o cenário brasileiro, espera-se uma produção total superior a 93 milhões de toneladas, e isto fatalmente pressionará os preços do cereal. No Paraná, a saca de 60 quilos está sendo negociada entre R$ 19 e R$ 21. No mesmo período do ano passado, o milho era negociado a valores superiores a R$ 38.
Na avaliação do técnico do Deral, a alta disponibilidade de milho no mercado interno pode propiciar um aumento significativo nas exportações, e o Paraná poderá atingir mais de quatro milhões de toneladas embarcadas neste ano. Segundo Gervásio, a segunda safra ainda demanda atenção, pois há ainda pelo menos 50% de toda a área suscetível a risco climático e consequentemente uma eventual perda de produtividade.
No que diz respeito à produção de soja, o Paraná deverá colher 19,6 milhões de toneladas, volume 19% superior aos 16,5 milhões de toneladas produzidas na safra 2015/16. De acordo com o economista chefe da Divisão de Conjuntura Agropecuária e responsável pela cultura de soja do Deral, Marcelo Garrido, o clima favorável foi fator determinante para o resultado positivo. “A área cultivada foi de 5,25 milhões de hectares, valor levemente inferior à da safra 2015/16, quando foram semeados cerca de 5,28 milhões de hectares”, diz Garrido.
Com um volume maior, o Deral pontua que os produtores enfrentam redução nos valores recebidos. Em junho de 2016, o produtor recebeu, em média, cerca de R$ 81 por saca de 60 kg. Na última semana, a mesma saca foi comercializada por R$ 58, desvalorização de 28%. O valor menor tem impactado na comercialização. Até o momento foram negociados cerca de 55% do produto, ou 10,8 milhões de toneladas. Na safra passada, neste mesmo período, já haviam sido comercializados 12,5 milhões de toneladas, 75% do volume produzido.