Entidades criam comitê para acompanhar crise no mercado de carnes

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Associação Brasileira da Proteína Animal (ABPA) anunciaram a criação do Comitê de Gestão de Crise. A iniciativa tem como objetivo acompanhar e propor soluções para os problemas criados no mercado internacional às carnes de aves e suínos do País.

O comitê também vai analisar os impactos dos embargos também no mercado interno, considerando a sustentabilidade da vasta cadeia produtiva de carnes, o emprego dos trabalhadores nas indústrias e a viabilidade dos produtores rurais integrados.

“Precisamos estabelecer um pacto do tipo ganha-ganha entre produtor e indústria para que todos sejam adequadamente remunerados e para que, em situação de crise, todos suportem de modo proporcional às dificuldades”, disse o presidente da CNA João Martins da Silva Júnior.

O diretor da ABPA Ariel Mendes observou que é necessário reagir de forma articulada para evitar a perda de mercados duramente conquistados pelo Brasil. Europa e Ásia são os primeiros continentes que serão alvos de ações de recuperação de mercado.

A motivação para a criação do Comitê é o fato das companhias avícolas e de suínos enfrentarem dificuldades desde agosto do ano passado. O quadro agravou-se no último bimestre de 2017, quando várias empresas foram desabilitadas a exportar para a Europa. No mesmo período, a Rússia, que representava um grande comprador de produtos cárneos, suspendeu as importações. Nesse momento não há previsão de retomada desses mercados.

Simultaneamente, o suprimento do milho – principal insumo da cadeia – apresenta distorções causadas pela retenção dos estoques, pelos grandes cerealistas, para fins especulativos, o que eleva seu custo e encarece a produção de aves e suínos. O rebanho permanentemente alojado no Brasil é de quase 520 milhões de aves, o que exige volumes colossais do grão para sua manutenção.