No dia 06 de junho deste ano, o portal oficial da Casa Rosada da Argentina anunciou a inauguração de uma usina de hidrotratamento de diesel pela empresa Axion Energy (DHT) em Campana, província de Buenos Aires. O feito exigiu um investimento de US$ 1,50 bilhão e empregou mais de 4 mil pessoas no seu desenvolvimento e execução, como noticiado pela DATAGRO.
Com o empreendimento, o país tenta depender cada vez menos das importações do óleo de alta qualidade para suprir sua demanda interna. A partir disso, a DATAGRO fez um levantamento dos dados do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (INDEC, sigla em espanhol) sobre o mercado no país.
Os dados compilados abrangem os volumes somados o tipo comum, além do diesel premium, que tem baixos níveis de enxofre, e reduz as emissões poluentes dos veículos que o utilizam.
Importações
Nos acumulados anuais de 2018 e 2019, a Argentina importou 3.413,5 mil litros e 2.243,8 mil litros, respectivamente. Uma queda de mais de 34% entre os anos, com redução nos níveis mensais importados. Em agosto de 2018 e 2019, por exemplo, houve uma contração de quase 40%, indo de 450,1 mil litros para 270,1 mil litros.
Todos os demais meses registraram algum tipo de queda, com apenas duas exceções, os meses de fevereiro de 2018 e 2019 com alta de 16,2% indo de 101,2 mil litros para 117,6 mil litros. E o mês de novembro com alta anual de 11,1% indo de 140,8 mil litros para 156,5 mil litros.
Já nos acumulados de janeiro a maio de 2019 e 2020, a queda nas importações foi de quase 32%, indo de 967,5 mil litros para 661,1 mil litros neste ano.
Valores
Para abastecer seu mercado interno, a Argentina desembolsa valores que poderiam ser menores com a nova
capacidade produtiva interna. Ainda de acordo com os dados do INDEC, nos acumulados dos anos de 2018 e 2019, o país registrou US$ 1,95 bilhão e US$ 1,22 bilhão, respectivamente. Neste ano, até maio, o registro é de US$ 291,30 milhões.
Vale lembrar que a Argentina vem passando por uma crise econômica profunda com impactos na demanda por energia e câmbio. Em 2018, o peso argentino foi fortemente desvalorizado em mais de 20%, apesar das intervenções do Banco Central do país.
Países exportadores
A usina inaugurada em Campana tem a promessa de fazer, a longo prazo, com que a Argentina dependa cada vez menos das importações de outros países, como os Estados Unidos, maior vendedor de diesel para os argentinos nos últimos anos.
Nos acumulados anuais de 2018 e 2019, os norte-americanos exportaram 1.819,2 mil litros e 1.387,2 mil litros, respectivamente. Uma queda de 23,75%. Nos acumulados, até maio, de 2019 e 2020, os EUA diminuíram ainda mais sua participação no mercado do diesel do país de 627,1 mil litros para 145,9 mil litros. Queda de mais de 75%.
Os Emirados Árabes Unidos também tiveram vendas menores para a Argentina no acumulado deste ano sobre 2019. Já a Índia vem registrando crescimento na participação do mercado energético argentino, com alta de 767% entre janeiro a maio de 2020 (200,6 mil litros) sobre o mesmo período do ano anterior (23,1 mil l).
O Brasil tem uma participação muito baixa neste mercado. No acumulado de janeiro a dezembro de 2018, a Argentina importou do país 229,5 mil litros e nenhum volume em 2019. No acumulado de janeiro a maio deste ano, as compras foram retomadas com acumulado de 69,2 mil l.
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