
Paranaguá, 22-06-15.
Foto: Arnaldo Alves / ANPr
O Brasil precisa construir um projeto de longo prazo com a China, afirmaram, na última sexta-feira (29), especialistas no agronegócio, entre executivos, autoridades e acadêmicos, durante o evento encontro de analistas, realizado pela Scot, em São Paulo (SP).
Segundo o engenheiro agrônomo Marcos Jank, nos falta estabilidade e previsibilidade na relação com a China. De acordo com o líder do Insper Agro Global, o agronegócio brasileiro não pode se limitar mais somente a vender soja em grão ou a oportunidades de curto prazo com o país asiático, como, por exemplo, a habilitação esporádica de novos frigoríficos, conforme a demanda chinesa aumenta.
Nítido exemplo deste cenário é o recente “boom” de embarques de carne bovina brasileira para a China, devido à peste suína africana que vem dizimando o plantel suíno chinês, fazendo com que Pequim tenha que recorrer à importação de diferentes tipos de proteína animal para atender a demanda doméstica.
“Precisamos fechar novos acordos no comércio agrícola, diversificando a pauta exportadora, bem como os destinos”, ressaltou Jank, um dos principais especialistas no agronegócio brasileiro e internacional, sendo ainda o atual titular da cátedra da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP).
Também presente ao evento, o secretario da Agricultura de São Paulo, Gustavo Diniz Junqueira, pontuou que o Brasil não está sendo protagonista na relação com a China. “Precisamos trabalhar com o conceito de produção puxada”, acentuou. Por sua vez, Pedro Parente, presidente do Conselho de Administração da BRF, disse que o comportamento das autoridades chinesas carece de transparência. “Por isso não se sabe até onde vai o impacto da peste suína no país asiático, o que alimenta um quadro de indefinição.”