Entenda os movimentos do comércio global de arroz

O arroz é um dos alimentos mais consumidos do mundo. Assim como foi feito no feijão, a DATAGRO levantou os principais movimentos do comércio global dessa commodity. A Consultoria reuniu dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) para ver o mercado nacional e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a fim de entender o cenário global.

 

Embarques totais de arroz pelo Brasil

“Sem casca”

As exportações do arroz tipo “sem casca” de janeiro a dezembro de 2018 e 2019 totalizaram 743,1 mil t e 793,7 mil t, respectivamente. Uma alta de 6,8%. No acumulado de janeiro a abril, referente aos anos de 2018, 2019 e 2020 foram embarcadas 263,4 mil t, 250 mil t e 2016,7 mil t, respectivamente.

A receita gerada nas exportações do arroz “sem casca” no acumulado de 2018 e 2019 foram de US$ 275.221,00 e US$ 294.279,60. No acumulado de janeiro a abril entre os anos de 2018, 2019 e 2020, foram US$ 108.245,80, US$ 87.115,50 e US$ 90.542,10.

Vale ressaltar que as exportações nacionais do tipo “sem casca” são divididas em três tipos dominantes: arroz semibranqueado ou branqueado, parboilizado, polido ou brunido; arroz semibranqueado ou branqueado, não-parboilizado, polido ou brunido; e o arroz quebrado.

“Com casca”

Já os embarques do tipo “com casca” de janeiro a dezembro de 2018 e 2019 foram de 715,6 mil t e 269,2 mil t, respectivamente. Uma queda de 62,3%. No acumulado de janeiro a abril, referente aos anos de 2018, 2019 e 2020 foram 227,2 mil t, 143,5 mil t e 65,9 mil t, nessa ordem.

A receita gerada nas exportações do arroz “com casca” no acumulado de 2018 e 2019 foram de US$ 191.526,50 e US$ 74.169,00, respectivamente. No acumulado de janeiro a abril entre os anos de 2018, 2019 e 2020 foram registrados US$ 64.122,10, US$ 39.212,40 e US$ 17.452,50.

As exportações brasileiras do tipo “com casca” são majoritariamente de arroz não parboilizado.

Portos

Os três principais portos de saída do arroz “sem casca” e “com casca” do Brasil são: Rio Grande, Pacaraima e Itajaí, segundo dados da Secex.

Nos anos de 2018 e 2019, foram exportadas 682,7 mil toneladas e 731 mil toneladas de arroz sem casca pelo Porto de Rio Grande. Uma alta em torno de 7%. O acumulado entre os meses de janeiro a abril de 2019 e 2020 registrou queda de cerca de 23%, indo de 238,6 mil t para 183 mil t.

Pacaraima não tem embarques tão expressivos como Rio Grande, mas é o segundo em exportação do “sem casca”. Nos anos de 2018 e 2019, foram enviadas 14,5 mil t e 29,7 mil t. Um crescimento próximo de 105%. Nos comparativos entre os acumulados, até abril de 2019 e 2020, a alta foi ainda mais expressiva, mais de 711%, indo de 1,8 mil t para 14,6 mil t.

Seguindo o volume enxuto de Pacaraima, o Porto de Itajaí registrou em 2018 e 2019 a exportação de 18,5 mil t e 17,5 mi t, respectivamente. Uma queda de mais de 5%. No acumulado até abril de 2019 e 2020, os embarques a partir daquela localização registraram alta de quase 72%, indo de 5,3 mil t para 9,1 mil t. Os demais portos tiveram baixos volumes exportados.

No arroz “com casca”, também destaque para o Porto de Rio Grande. Em 2018 e 2019, foram embarcadas 622,6 mil t e 268,3 mil t, respectivamente, uma queda de quase 57%. No acumulado até o mês de abril foi registrada queda de 54% no comparativo entre 2019 e 2020, indo de 143,5 mil t para 65,8 mil t.  Em seguida, vem o Porto de Imbituba referente ao ano de 2018 com 88,6 mil toneladas, mas depois volume zerado nos anos seguintes.

Exportações brasileiras e destinos

O Brasil vende arroz para inúmeros países. Assim como feito anteriormente, a DATAGRO irá separar entre os tipos “sem casca” e “com casca”.

“Sem casca”

O Senegal é o país que mais importou o arroz brasileiro “sem casca” nos últimos anos, sendo no acumulado total dos anos de 2018 e 2019, 148,6 mil toneladas e 165,3 mil t, respectivamente. Já nos acumulados de 2019 e 2020 até o mês de abril, o país importou 43,9 mil t e 28,4 mil t. Uma queda de mais de 35%.

O Peru se consolidou como segundo maior comprador do tipo. O país vizinho importou nos acumulados dos anos de 2018 e 2019, 82,4 mil t e 102,8 mil t, respectivamente. Nos acumulados de 2019 e 2020 até o mês de abril, o país importou 35 mil t e 38,1 mil t. Alta de quase 9%.

A Gâmbia vem logo atrás do Peru como comprador do arroz nacional, com importação nos acumulados de 2018 e de 2019 com 87,5 mil t e 102,1 mil t, respectivamente. Nos acumulados de 2019 e 2020 até o mês de abril, o país importou 38 mil t e 28, mil t. Uma queda acima de 26%.

Vale destacar que a Venezuela e os EUA foram os países que mais aumentaram suas importações de arroz “sem casca” nos acumulados de 2019 e 2020 até o mês de abril em 259% e 136%, respectivamente. A Venezuela foi de 8,7 mil t para 31,2 mil t e os Estados Unidos foi de 5,3 mil t para 12,5 mil t. Outros países também fizeram compras do Brasil, mas em volumes menores.

“Com casca”

A Venezuela é o país que mais importou o arroz brasileiro do tipo “com casca”, sendo no acumulado total dos anos de 2018 e 2019, 532,9 mil toneladas e 248,7 mil t, respectivamente. Porém, nos acumulados de 2019 e 2020 até o mês de abril, o país importou 123,9 mil t e 41,3 mil t. Uma queda próxima de 67%.

A Costa Rica se consolidou como segundo maior comprador do arroz nacional, o também latino-americano importou nos acumulados dos anos de 2018 e 2019, 62,5 mil t e 15 mil t, respectivamente. Nos acumulados de 2019 e 2020 até o mês de abril, o país importou 15 mil t e 24,5 mil t. Uma alta de mais de 63%.

A Nicarágua foi um grande comprador em 2018, mas aparamente, de acordo com as análises da DATAGRO, realizou importações pontuais nos anos seguintes. No acumulado dos anos de 2018 e 2019 foram registradas compras de 112,5 mil t e 4,6 mil t. Entretanto, em 2019 até o mês de abril, o país importou apenas 4,6 mil t e nada no mesmo período de 2020.

Outros países também fizeram compras do Brasil, mas em volumes menores.

Produção Mundial

De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, sigla em inglês) em âmbito global, a China se consolida como a maior produtora mundial de arroz. Sendo no acumulado total das safras de 2018/19 de 148,49 milhões de toneladas, 2019/20: 146,73 milhões de t e 2020/21: 149 milhões de t. No comparativo entre as safras 2019/20 e 2020/21, um aumento de 1,55%.

A Índia vem logo em seguida. Sendo no acumulado total das safras de 2018/19, 2019/20 e 2020/21: 116,48 milhões de toneladas e 118 milhões de t nas duas últimas temporadas. O comparativo entre as safras 2019/20 e 2020/21 demonstrou estabilidade.

Como ponto comparação, Bangladesh vem logo em seguida, mas diferentemente de seus antecessores, o acumulado total das safras de 2018/19, 2019/20 e 2020/21 não alcança a faixa dos 100 milhões de toneladas, ficando em: 34,91 milhões de toneladas, 35,85 milhões de t e 36 milhões de t, respectivamente. O comparativo entre as safras 2019/20 e 2020/21 demonstrou estabilidade.

No mundo, a produção total de arroz das safras de 2018/19, 2019/20 e 2020/21 foi de 496,46 milhões de t, 493,79 milhões de t e 501,96 milhões de t. A China corresponde a cerca de 30% da produção global e a Índia 24% no comparativo da última temporada. Os outros grandes produtores globais são: Indonésia, Vietnã, Tailândia, Myanmar, Filipinas, Japão, Paquistão, Brasil, EUA e outros não especificados.

Comércio global

Exportação

A segunda maior produtora de arroz é a maior exportadora, no caso, a Índia. Na safra referente a 2016/17, o país chegou a embarcar 12,57 milhões de toneladas, segundo dados do USDA. No comparativo entre 2019/20 e 2020/21, o aumento do volume exportado foi de 4,8%, de 10,50 milhões de t para 11 milhões de t.

A Tailândia vem como segundo maior exportador, apesar de não estar nem entre os três maiores produtores. Na safra 2016/17, o país chegou a embarcar 11,61 milhões de toneladas. No comparativo entre 2019/20 e 2020/21, o aumento do volume exportado foi de 20%, de 7,50 milhões de t para 9 milhões de t.

Vale destacar a China, a maior produtora do mundo de arroz exporta pouco, pois consome parte importante de sua produção internamente. No comparativo entre 2019/20 e 2020/21, o aumento do volume exportado foi de 3,2%, indo de 3,10 milhões de t para 3,20 milhões de t.

Outros países exportadores são: Vietnã, Paquistão, EUA, Myanmar, Camboja, Uruguai, Paraguai e outros não especificados.

Importação

As Filipinas são o país que mais importam arroz dentre as análises feitas pela DATAGRO a partir dos dados do USDA. De acordo com as informações referente às safras de 2019/20 e 2020/21, o aumento do volume exportado foi de 32%, de 2,50 milhões de t para 3,30 milhões de t.

A União Europeia vem logo em seguida, também referente às safras de 2019/20 e 2020/21, o aumento do volume exportado foi de 2,3%, indo de 2,20 milhões de t para 2,25 milhões de t.

A China novamente será destacada, a maior produtora do mundo de arroz também importa pouco. No comparativo entre 2019/20 e 2020/21, foi registrada queda do volume comprado em 4,3%, indo de 2,30 milhões de t para 2,20 milhões de t. Outro ponto de atenção é que a China vem diminuindo suas compras de arroz desde a safra de 2016/17 (5,90 milhões de t), 2017/18 (4,50 milhões de t), 2018/19 (2,80 milhões de t).

Outros países importadores são: Costa do Marfim, Nigéria, Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Malásia, África do Sul e outros não especificados.

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