A pandemia de coronavírus, COVID-19, que teve início em dezembro de 2019 e ainda está em curso, trouxe vários impactos ao consumo global. Entre os setores afetados, que vão desde as atividades comerciais à fabris, o setor de energia, principalmente o petróleo, vem sendo fortemente impactado devido às políticas de confinamento social, o chamado “lockdown”, adotado por países para conter o alastramento do vírus.
Os baixos preços do óleo, por sua vez, refletiram diretamente nos futuros do milho negociado na Bolsa de Chicago (CBOT, sigla em inglês), pois o etanol norte-americano é feito a partir do cereal.
De acordo com as informações da Organização Mundial da Saúde (OMS) compiladas pela DATAGRO, os Estados Unidos se mantêm como principal epicentro da doença, registrando até esta segunda-feira (18), mais de 1.5 milhão de casos e mais de 90 mil óbitos. Os estados de Nova Iorque e Nova Jersey registram o maior número de casos, seguidos por Illinois, Massachusetts e Califórnia. No mundo, são mais de 1,8 milhão de casos e mais de 300 mil mortes.
As políticas de isolamento social pesaram forte sobre os futuros do petróleo WTI, comercializado na Bolsa de Nova York, extraído principalmente na região do Golfo do México. No dia 20 de abril de 2020, o tipo despencou 300%, sendo negociado no negativo, em -US$ 37.63/barril. Esse foi o menor valor já registrado desde 1986, quando o WTI foi negociado à US$ 10,42/barril.
Etanol e milho
Segundo dados publicados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, sigla em inglês) e analisados pela DATAGRO, a partir da safra 2010/11, a participação do milho no consumo de etanol era de 40% de um consumo de 127,5 milhões de t nos EUA. Já na safra de 2012/13, 43% de participação com consumo de 117,9 milhões de t e produção total de grãos de 273,2 milhões de t.
Nas safras seguintes, esse percentual passou a ficar abaixo de 40%. Em 2019/20, a participação do milho ficou em 36%, menor que nas temporadas anteriores com consumo de etanol de 125,7 milhões de t e produção de 347,1 milhões de t. Para a temporada 2020/21, a participação prevista é de 33%, com 132,1 milhões de t de consumo e produção total de grãos de 406,3 milhões de t.
Diferentemente das temporadas anteriores, a safra 2020/21 tem projeções de ampla produção do cereal norte-americano, segundo o USDA, com potencial de 406,3 milhões de t, porém a reserva para etanol deve ser de 33%, a menor desde 2010/11 e consumo de 132,1 mis de t.
Preços
Além das análises de participações, a Consultoria DATAGRO verificou os preços médios por bushel do milho comercializado na CBOT no mesmo período. Em 2010/11 (US$ 5,18/bushel), 2011/12 (US$ 6,22/bushel), 2012/13 (US$ 6,89/bushel), 2013/14 (US$ 4,46/bushel), 2014/15 (US$ 3,70/bushel), 2015/16 (US$ 3,61/bushel), 2016/17 (US$ 3,36/bushel), 2017/18 (US$ 3,36/bushel), 2018/19 (US$ 3,61/bushel), 2019/20 (US$ 3,60/bushel) e 2020/21 (US$ 3,20/bushel).
Em 11 anos, os preços médios do milho na CBOT, na comparação com as safras 2010/11 e 2020/21 caíram aproximadamente 60%.Na comparação entre 2019/20 e 2020/21, a queda foi de cerca de 11%, período correspondente a pandemia do novo coronavírus. Entre as safras em que a commodity foi mais valorizada, 2012/13 e mais pressionada, 2020/21, a queda corresponde a 53,6%.
Produção mundial
A produção mundial de milho também cresceu fortemente nestes últimos 11 anos. Em 2010/11, o total era de 849,5 mis de t. Já safra 2020/21, tem previsão de produção de 1.186,9 mis de t, um crescimento de 39,7%. Vale lembrar que os Estados Unidos têm outros competidores agrícolas, sendo o Brasil o mais notável deles, com bons preços e produções volumosas no decorrer dos últimos anos.
#coronavirus