Estudo analisa impacto do uso de glifosato por trabalhadores rurais

Um estudo elaborado pelo Departamento de Farmacologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), de São Paulo recolheu 90 amostras de urina de homens e mulheres expostos ao glifosato. A pesquisa não encontrou traços significativos do herbicida em urina de trabalhadores rurais de Mato Grosso.

De todas as amostras coletadas em 12% foram encontrados níveis quantificáveis de glifosato. Nestas amostras, o maior valor encontrado foi de 0,007mg/kg. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Ingestão Diária Aceitável (IDA) é 0,042mg/kg. Os resultados foram analisados pelos professores doutores Angelo Zanaga Trapé, médico toxicologista, e Paulo César Pires Rosa, químico e farmacêutico.

O relatório informa que o tempo em que estes trabalhadores ficaram expostos ao glifosato antes do estudo não influenciou em maior ou menor quantidade de resíduos, visto que o nível mais alto encontrado foi obtido do candidato nº 19 (7,13ng/mL), com tempo de exposição de 1 ano e 9 meses, enquanto que o candidato de nº 29, com tempo de exposição de 10 anos, não obteve nenhum nível de resíduo quantificável.

“Como estudos sugerem uma taxa de absorção de aproximadamente 20%, pode-se considerar que a ingestão possa ter sido até cinco vezes maior que a dose interna encontrada. Assim, o maior nível de resíduo encontrado, 7,13 ng/mL poderia equivaler a uma dose externa de até 0,003mg/kg. Isto é, 7,14% da dose diária aceitável”, relata o pesquisador. Trapé reforçou que “nenhum estudo mostra uma relação causal entre ser agricultor e ter câncer”.

O doutor Paulo Rosa explicou que o método de pesquisa foi validado para dar segurança nos resultados e que houve certificação do aparelho utilizado para verificar as amostras. “Ainda temos que ampliar para um número maior de amostras. Porém, este é um projeto piloto que mostra a segurança do glifosato”, afirmou.

Apesar dos estudos minimizaram o uso do herbicida, a juíza Luciana Raquel Tolentino de Moura, da 7ª Vara da Justiça Federal em Brasília, determinar a suspensão de registro de todos os produtos que utilizam abamectina e glifosato.

Na última sexta-feira (24), a Advocacia-Geral da União (AGU) ingressou com recurso contra a liminar que suspendeu o uso do produto, mas nenhum parecer ainda foi dado.