Mini arroz é exemplo de diferenciação em commodities

Especialistas do agronegócio reunidos nesta semana, no Fórum das Cooperativas Agropecuárias, em São Paulo (SP), apresentaram os desafios e as oportunidades para agregação de valor de produtos agrícolas, especialmente das commodities.

Especialista diz que é preciso "descomoditir" produtos para aumentar competitividade entre médios e pequenos produtores

Entre as palestras, destaque para a exposição de Raul Amaral Rego, diretor do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), vinculado à Secretaria de Agricultura de SP, que, inicialmente, chamou a atenção para o fato de que o atributo da saudabilidade ganha cada vez mais terreno como critério de tomada de decisão para o consumidor.

Segundo Raul, os alimentos processados estão sofrendo muitas críticas, e por isso o Ital criou uma plataforma para esclarecer a população que a comida processada também pode ser saudável.

O especialista baseou sua apresentação no intuito de mostrar que “descomoditizar” o produto agrícola é a chave para a competitividade, especialmente do pequeno e médio produtor. Além da questão da saudabilidade, Raul elencou praticidade, conveniência, sustentabilidade, bem-estar animal, comércio justo, etc. como outros atributos que ganharam peso no coração e na mente do consumidor para a escolha dos alimentos.

De acordo com o especialista, produção e consumo de alimentos avançam em direção a certa “gourmetização”, que pode ser exemplificada pela sofisticação de produtos como café, vinhos, chocolates, carnes, pela substituição do “carrinho de cachorro-quente” pelos “food-trucks”, e assim por diante. “É preciso investir cada vez mais em qualidade, há o fenômeno de crescimento de produtos ‘premium’.”

Nesta categoria, Raul citou o caso de uma marca de mini arroz, que é vendida com a chancela de um grande “chef” de cozinha, e que custa muito mais para o consumidor – ao mesmo tempo que oferece mais retorno para o agricultor – do que o produto tradicional, ou seja, a commodity. “Para se diferenciar, é necessário investir também em novos formatos para os produtos, em alimentos ‘fashions’, etc.”, disse.