Professores, especialistas e pesquisadores reunidos em debate no Pensa-USP, nesta quinta-feira (30), em São Paulo (SP), apontaram que parcerias com a iniciativa privada são uma alternativa de financiamento para a pesquisa pública agrícola, que sofre com restrições orçamentárias tanto em nível estadual quanto nacional.
O Pensa-USP é um programa da Fundação Instituto de Administração – FIA, dedicado à Governança e Gestão de Sistemas Agroindustriais, e que tem como coordenadores professores da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP).
De acordo com a pesquisadora da Embrapa, Cíntia Curi, o sistema de pesquisa que levou à agropecuária brasileira ao estágio de desenvolvimento atual não garante desenvolvimento futuro. Por isso, disse, o País precisa pensar em modelos de financiamento de pesquisa em aliança com o setor privado. “Somente os recursos provenientes do Estado não darão conta.” Como exemplo de parceria público-privada, a pesquisadora citou o caso do Fundecitrus.
O coordenador do Pensa, Cláudio Pinheiro Machado Filho, ressalvou, no entanto, que convênios entre o segmento privado e a Academia esbarram, muitas vezes, em questões burocráticas, quiçá ideológicas. “O meio acadêmico é meio entrincheirado em relação ao mercado.” Joaquim Machado, professor da USP, destacou que o estado de São Paulo é exceção neste quesito, salientando que o desafio destas alianças é justamente o de casar interesses privados e coletivos.
No debate, foram citadas experiências desenvolvidas em outros países, nas quais são formados grupos de trabalho que congregam os representantes das cadeias produtivas, entre os quais, claro, os produtores, e que estimulam a pesquisa direcionada. “É preciso por para negociar. As lideranças rurais têm que conversar, dialogar em pé de igualdade com os CEOs das multinacionais agrícolas”, assinalou o professor da ESPM e especialista em marketing no agronegócio, José Luiz Tejon.
Em sua participação, Tejon aproveitou a oportunidade para criticar a mensagem de que o Brasil precisa passar ao mundo que será o grande celeiro de alimentos. “Isso provoca receio, porque todo país tem agricultor, todo lugar tem agricultura”, frisou. Segundo ele, a mensagem que deve ser trabalhada é de que o Brasil vai ensinar, educar o mundo a produzir comida por meio de nossa tecnologia agrícola.
Universidades e centros de pesquisa
O professor da FEA e criador do Pensa, Décio Zylbersztajn, ressaltou que universidades e centros de pesquisa, que já desenvolvem Ciências Agrárias, deveriam se aproximar mais, a fim de trabalhar em rede. “Isso já seria um ganho tremendo.”
Ademais, de acordo com o professor Machado, a pesquisa agrícola em geral caminha para diminuir as diferenças entre agricultura de clima temperado e tropical. Neste aspecto, destacou, que as tecnologias serão cada vez mais “informacionais”, e menos materiais.
