Polêmica da importação mexe com preços futuros do café

O recente aumento, ainda que modesto, dos juros nos Estados Unidos tornou atraente os investimentos financeiros no próprio EUA, enxugando a oferta em outros mercados. Já antes do aumento, investidores da BM&F-BOVESPA alavancaram as cotações do dólar futuro, diz o pesquisador Celso Luis Rodrigues Vegro, diretor do Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

“Expectativas de alta para as cotações futuras do dólar são benéficas para a rentabilidade dos cafeicultores, pois grande parte dos insumos foi comprada com dólar mais baixo e a comercialização se dará com a valorização daquela moeda, incrementando os reais que receberá pelo produto”, diz.

Os contratos futuros negociados para entrega na última semana de setembro registraram cotação média de US$¢ 154,28/lbp. Efetuadas as devidas conversões e empregando a média futura das cotações do dólar para a mesma posição, chega-se ao valor de 675,44/sc.

Porém, segundo Vegro, assumindo diferencial de 25% para o natural brasileiro sobre o contrato em Nova York acrescido das despesas financeiras e de logística, alcança-se valor de R$ 506,58/sc., montante insuficiente para que os cafeicultores procurem o mercado futuro para proteger sua renda.

A explicação para as oscilações nas cotações do arábica também se aplica aos preços do robusta na Bolsa de Londres. Impulsionado pela perspectiva de importação por parte do Brasil, na média da primeira semana, houve forte elevação nas cotações. Com a suspensão da decisão, desabam as cotações na média da segunda semana com ligeiros ajustes altistas nas médias das semanas seguintes. Com a proximidade da colheita do conilon brasileiro (início em maio), pode-se esperar reacomodação das cotações em patamar inferior ao praticado nas duas últimas semanas do mês.