Curiosamente, foi o investimento feito pelo país na ampliação da cadeia de distribuição do etanol que pode ter traçado a rota mais segura para a eletrificação do automóvel.
A verdade é que, atirando no que vimos, acertamos o que não vimos. Para saber como isso aconteceu, é necessário entender quais as apostas das montadoras para substituir os motores a combustão. Há investimentos em várias frentes.
O carro puramente elétrico, como os modelos da Tesla ou o Leaf, da Nissan, depende de baterias que são recarregadas ao serem ligadas diretamente a uma fonte de energia – assim como você faz com seu celular.
Conceitualmente mais prática, essa abordagem ainda esbarra no elevado tempo de recarga (são oito horas para uma carga completa no Leaf) e na vida útil das baterias, de oito anos.
Além disso, excetuando algumas experiências urbanas nos Estados Unidos e Europa, hoje não há uma rede de abastecimento que permita a esses modelos percorrerem grandes distâncias.
Paralelamente, as montadoras desenvolvem a chamada célula a combustível de hidrogênio. Nesse caso, não é preciso ligar o carro a uma fonte de energia para abastecer as baterias que farão o motor elétrico funcionar.
É o hidrogênio, armazenado em tanques no próprio carro, que por meio de um processo químico produzirá a eletricidade necessária.
Mas a célula a combustível não precisa funcionar diretamente com hidrogênio. Pode ser abastecida por combustível líquido. Essa é uma terceira linha de pesquisa -justamente aquela que pode colocar o Brasil na rota do desenvolvimento do carro elétrico.
Ironicamente, o etanol parece ser um caminho seguro para o desenvolvimento do carro com motor elétrico, que por sua vez, pode garantir a expansão da produção do biocombustível. É uma troca, como aposta Plinio Nastari, presidente da DATAGRO Consultoria.
“A tecnologia automotiva pode estar indicando um caminho de valorização do etanol e do sistema de distribuição criado no Brasil para este combustível, que poderá ser talvez um de seus mais valiosos ativos”, diz.
Esse conteúdo foi publicado originalmente no site Diário do Comércio
