De acordo com o Instituto de Economia Agrícola (IEA), a variação dos preços médios do mercado atacadista da Região Metropolitana de São Paulo apresentou redução de 2,31%, em comparação a julho de 2018. Essa redução foi influenciada pelos produtos alho e cebola que estão em período de safra e apresentaram quedas significativas de preços. Para o alho, a variação ficou entre 7% e 13% e para as cebolas foi de aproximadamente 17%, quando proveniente do Nordeste, e de 19,31% para a cebola paulista.

Em relação às altas registradas no mês, os destaques são a carne suína ½ carcaça com alta de 14,13% e o feijão carioquinha com 9,38%, explicam Vagner Azarias Martins e José Alberto Angelo, pesquisadores do IEA. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a valorização do preço do suíno ocorreu devido ao bom desempenho das exportações e demanda interna aquecida, entretanto, observa-se que o preço médio desse mês é 13,11% inferior a um ano, ou seja, o preço atual, mesmo considerando a inflação do período e a expressiva alta no mês é inferior ao praticado em agosto de 2017.
No caso do feijão, a variação positiva já pode estar refletindo a queda de produção em Estados importantes para essa cultura, como Bahia e Paraná.
De acordo com o IEA, dos 24 produtos que compõem esse acompanhamento mensal, pode ser destacado o comportamento distinto de dois produtos importantes no comércio atacadista, o café torrado e o leite longa vida. Para tanto, foram considerados os últimos 14 meses e a variação de ambos os produtos durante o mês de agosto em função do preço médio de julho de 2018.
Durante o período de julho de 2017 a agosto de 2018, a variação acumulada dos preços médios mensais do café torrado e moído foi de -8,35%. Essa situação pode ser atribuída à safra recorde de café esperada para este ano-safra. Cabe ainda comentar que, durante o mês corrente, em geral, o preço variou positivamente na primeira quinzena e negativamente na segunda quinzena.
Em relação ao leite longa vida, a variação acumulada nos últimos 14 meses apresenta alta de 29,87%, sendo que o acréscimo mais significativo ocorreu nos meses de junho e julho desse ano, quando a variação acumulada foi de aproximadamente 35%. Esse período (junho e julho de 2018) foi imediatamente posterior à greve dos caminhoneiros, ocorrida nos últimos dez dias de maio, que afetou significativamente a cadeia do leite.
Além disso, os meses de junho e julho apresentaram precipitação abaixo da média esperada, prejudicando ainda mais a produção e afetando os preços. No mês de agosto, observa-se a mudança de tendência de alta, devido às melhores condições climáticas e aumento da oferta; com isso, houve queda de 8,48% nos preços praticados.