O Sistema CNA/Senar participa da 24a. Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP24), que começou nesta segunda-feira (03), em Katowice, na Polônia, para mostrar as experiências bem-sucedidas que comprovam o compromisso do setor agropecuário brasileiro com as metas voluntárias de redução das emissões de gases de efeito estufa.
Representantes de diversos setores da economia mundial estarão reunidos durante 12 dias para debater os avanços em torno do acordo global de mudança do clima, o Acordo de Paris, que vai passar a vigorar a partir de 2020.

O presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Muni Lourenço Silva Júnior, afirma que o setor produtivo rural precisa participar dos debates sobre as metas do Acordo de Paris, pois essa é uma agenda que pressupõe a oitiva da iniciativa privada e não só de governo.
De acordo com Muni Lourenço, o Sistema CNA terá na COP24 uma atuação propositiva e com protagonismo à altura do que representa o nosso setor rural para o Brasil e para o mundo. “Hoje, a produção de alimentos brasileira é fundamental para a segurança alimentar de 1,2 bilhão de seres humanos, isso a partir de uma agropecuária verticalizada e em harmonia com a sustentabilidade ambiental, afinal, o país conseguiu se tornar uma potência agrícola baseada em aumento de produtividade e poupando áreas nativas.”
Segundo o dirigente, o objetivo será mostrar ao mundo as ações concretas de conciliação entre produção agropecuária e sustentabilidade ambiental. “Nesse sentido, o Sistema participará ativamente do Estande Brasil, espaço oficial do país na COP24, mostrando os resultados da parceria da CNA com a Embrapa nos seis biomas brasileiros visando à inserção das árvores para a sustentabilidade ambiental e econômica da propriedade rural e orientação técnica sobre recuperação de passivo ambiental, no âmbito do Projeto Biomas.”
Além disso, destaca Muni Lourenço, o Senar estará expondo excelentes projetos, como os resultados do Programa de Recuperação de Áreas Degradadas da Amazônia PRADAM, o Projeto de Agricultura de Baixo Carbono ABC Cerrado.
“O produtor rural brasileiro vem provando que não há contradição ou antagonismo entre produzir alimentos e sustentabilidade ambiental. Nosso país chegou ao patamar de potência mundial agropecuária utilizando pouco mais de 30% de seu território, mantendo preservados 66,3% de sua vegetação nativa. Ele preserva em suas propriedades rurais mais de 25% do território brasileiro, atendendo a legislação ambiental mais rigorosa do mundo. O produtor sabe de sua responsabilidade na produção de alimentos para a população brasileira e mundial e na preservação ambiental e vem investindo intensamente para cada vez mais para aumentar a produção e a produtividade sem impactos ao meio ambiente.”
O dirigente salienta que o Brasil está alcançando as metas das Contribuições Nacionalmente Determinadas – NDC’s, fruto, boa parte de contribuição do setor rural, tanto em termos de redução do desmatamento quanto na diminuição de emissões de gases de efeito estufa. “É vital mostrarmos isso para o mundo na COP24 para superar as narrativas equivocadas que partem de premissas infundadas e formam conclusões negativas da relação entre produção rural e meio ambiente no Brasil.”
Muni Lourenço acentua que a produção rural brasileira se intensificou, através de tecnologias desenvolvidas por instituições como a Embrapa, fator que se somou à força e ao talento do produtor rural brasileiro. Um dado importante é que se comparada à safra brasileira de grãos do ano de 1972 com a produzida em 2016, a área cultivada aumentou 80% e a produção, mais de 500%, o que faz concluir que para produzir a safra atual com a produtividade de 1972 seriam necessários mais 100 milhões de hectares de novas áreas. Há de se destacar igualmente a expansão do Sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta- ILPF, adotado em mais de 11,5 milhões de hectares no Brasil. A pecuária brasileira vem evoluindo tecnologicamente em conjunto com a ILPF e permitiu, por exemplo, atingirmos a meta voluntária do Acordo de Paris antes do prazo, o sequestro de 35 bilhões de toneladas de CO2 equivalente (CO2e).
O dirigente ressalta que tem a expectativa que os posicionamentos da agropecuária brasileira e os projetos de sustentabilidade coordenados pelo Sistema sirvam de referencial para a opinião pública e autoridades mundiais do compromisso do produtor rural do Brasil com o meio ambiente. “Além disso, esperamos, sobretudo, que a COP24 proporcione avanços significativos na concretização do chamado Diálogo Facilitador, destinado a apoiar a implementação dos compromissos nacionais previstos no Acordo de Paris, e que da COP24 decorra a finalização das regras detalhadas sobre a implementação do Acordo de Paris.”