Trégua na guerra comercial e as consequências na economia brasileira

Durante este final de semana ocorreu na Argentina, a reunião do G 20, com as 19 maiores economias do mundo, além da União Europeia. A grande expectativa do mercado estava no encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, em que discutiram sobre a guerra comercial entre Estados Unidos e China, que dura desde maio.

A guerra ainda não chegou ao fim, porém, uma trégua firmada de 90 dias deixou os investidores mais otimistas. Trump se comprometeu a não aumentar a partir de janeiro as taxações sobre importações de US$ 200 bilhões de produtos chineses. Já a China irá comprar ainda mais produtos dos norte-americanos. Os dois países irão negociar nesse período um acordo mais ambicioso. Caso contrário, Trump irá retomar a alta entre 10% e 25% sobre tarifas.

Inicialmente, o Brasil se beneficiou com a guerra, principalmente nas exportações de soja. Até outubro as vendas da oleaginosa brasileira para a China superava os US$ 24 bilhões, uma alta de 27% em comparação a 2017. Os Estados Unidos eram o maior exportador e a China o maior importador de soja no mundo. Com a guerra, o Brasil se tornou o maior exportador.

Caso a guerra continue, economistas temem uma desaceleração na economia global. Além dos grãos, o conflito influencia nas cotações do petróleo, do dólar, índices e afeta todo o mercado financeiro.

No cenário interno, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, vem fazendo elogios aos Estados Unidos e ao governo Trump, deixando os exportadores preocupados. Para eles, é imprescindível que o Brasil se mantenha neutro neste conflito, garantindo a fluidez da soja brasileira.

Nesta segunda-feira, 3, primeiro dia de negociações após o anuncio da suspensão, os índices acionários chineses registraram o maior ganho diário dos últimos meses.

Na Bolsa de Chicago as cotações do produto sobem mais de 15 pontos, uma das maiores altas registradas.

Na quarta-feira (5), o presidente Donald Trump declarou o Dia Nacional do Luto, para homenagear o ex-presidente George Bush, que morreu na sexta-feira, 30, portanto, os mercados norte-americanos ficarão fechados.