Veja o balanço da OPEP para o petróleo antes e depois da pandemia do coronavírus

Os preços do petróleo sofreram uma queda abrupta neste ano de 2020 com a pandemia do novo coronavírus que se alastrou pelo mundo e paralisou os mercados, inclusive com medidas facultativas e obrigatórias de isolamento social, o chamado “lockdown”. A partir disso, vários setores relacionados com o de energia foram impactados. A da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) divulgou em relatório de abril suas previsões que mostram como o vírus deve impactar o mercado de petróleo.

A Organização Mundial do Turismo (OMT) prevê uma contração de 20% a 30% no turismo internacional para este ano. Isso representa cifras entre US$ 300 a US$ 450 bilhões, ou seja, próximo de terço do valor gerado no ano anterior, que ficou em US$ 1,5 trilhão. Os setores de transportes e industriais também contribuíram para a queda na demanda pelo petróleo, tendo em vista que apenas os setores essenciais seguiram em funcionamento.

As mortes pelo coronavírus a nível global ultrapassam 200 mil pessoas, com mais de 3 milhões de pessoas infectadas, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Vale lembrar que no dia 20 de abril de 2020, as cotações do petróleo no spot sofreram a maior queda de sua história em mais de 300%, ficando no negativo.

Demanda

A DATAGRO analisou os dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) a partir de 2015 sobre a demanda pela commodity em diferentes blocos e países a fim de entender como esse mercado estava funcionando até 2020, período marcado da pandemia.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), bloco econômico que reúne os países mais desenvolvidos do mundo, vinha em uma crescente no consumo de petróleo, variando entre 46,5 milhões de barris por dia (bpd) a 48 milhões de bpd.

Em 2019 e 2020, a previsão já foi de uma queda, para volumes entre 47,9 e 43,9 milhões de bpd, respectivamente.

O continente americano também vinha em ritmo crescente, porém mais tímido, de acordo com a OPEP, indo de 24,6 milhões para 25,6 milhões de bpd. Entre 2019 e 2020, a previsão foi de queda, 25,6 milhões para apenas 23,7 milhões de bpd, respectivamente.

A Europa foi de 13,8 para 14,3 milhões de bpd entre 2015 e 2018 e depois sua demanda se manteve estável em 14,3 milhões de barris e 13 milhões de bpd em 2019 e 2020, aponta a previsão da OPEP.

Esse padrão de pico e depois queda nos últimos anos se repetiu na Ásia, nos países em desenvolvimento, ex-repúblicas soviéticas, China e demais países.

Nas análises do total, a demanda pelo óleo tem previsão duramente impactada neste ano de 2020, para 92,8 milhões de barris. Isso depois de 94,2 milhões de bpd (2015), 95,7 milhões de bpd (2016), 97,4 milhões de bpd (2017), 98,8 (2018) milhões de bpd e estimativa de 99,7 milhões de bpd (2019).

Oferta

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) vinha em uma crescente oferta nos últimos anos, oscilando entre 25,4 milhões de barris por dia a 28,3 milhões de bpd entre 2015 e 2018. Em 2019 e 2020, a previsão de oferta manteve-se em crescimento, 29,9 e 30 milhões bpd, respectivamente.

O continente americano também registrava uma oferta crescente, indo de 21,1 milhões de bpd em 2015 para 24,1 milhões de bpd em 2018. Entre 2019 e 2020, a previsão se manteve alta, de 25,7 milhões de bpd em 2019 e 25,4 milhões bpd em 2020.

A Europa teve oscilação de 3,8 milhões de bpd a até 3,9 milhões de bpd entre 2015 e 2018. A oferta seguiu em ritmo de crescimento em 2019 e 2020, de 3,7 e 4 milhões de bpd, respectivamente.

Esse padrão se repetiu na Ásia, nos países em desenvolvimento e na China. Porém, as ex-repúblicas soviéticas registraram queda em sua oferta, indo de 13,7 milhões de bpd para 14,3 milhões entre 2015 e 2018, mas com uma queda abrupta na previsão de 2020, apenas 12,8 milhões de bpd.

A oferta total da commodity dos países não membros da OPEP foi de 59,6 milhões de bpd (2015), 59,2 milhões de bpd (2016), 60,0 milhões de bpd (2017), 63,0 milhões de bpd (2018) e as previsões para 2019 e 2020 ficaram em 64,3 milhões de bpd e 66,5 milhões de bpd, respectivamente.

A produção dos países membros da OPEP ficou em 31,7 milhões de bpd (2015), 31,5 milhões de bpd (2016), 31,3 milhões de bpd (2017) e 29,3 milhões de bpd (2018). Não há previsão para 2019 e 2020.

 

Demanda por país

Após analisar os dados por bloco, a DATAGRO também levantou os dados da OPEP por país, separando os menores e os maiores consumidores por região de 2015 a 2018.

América do Norte

Consumo total da região: 21.951 mil bpd para 22.884 mil bpd. Crescimento de 4,2%

EUA

O país viu sua demanda pelo combustível aumentar progressivamente, indo de 19.531 mil bpd para 20.452 mil bpd em 2018, aumento de 7% no período.

Canadá

Diferente do seu vizinho, o país viu sua demanda pelo combustível cair, indo de 2.417 mil bpd para 2.429 mil bpd. Uma queda de 0,5%.

América Latina

Consumo total da região: 9.204 mil bpd para 9.237 mil bpd. Crescimento de 0,3%

Brasil

A demanda brasileira pelo combustível também seguiu em ritmo crescente, indo de 3.111 mil bpd para 3.235 mil bpd, aumento de 3,9% no período.

Venezuela

O país que é um dos maiores produtores da commodity, viu sua demanda cair durante no mesmo período, indo de 658 mil bpd para 402 mil bpd, queda de 38%.

México*

Sua demanda pelo combustível também seguiu em ritmo de queda, indo de 2.006 mil bpd para 1.967 mil bpd no período, queda de 2%.

Europa Oriental e Eurásia

Consumo total da região: 5.941 mil bpd para 6.401 mil bpd. Crescimento de 7,7%

Rússia

O país registrou aumento da demanda em 3,2%. Indo de 3.434 mil bpd para 3.544 mil bpd.

Eslováquia

É o país que menos demanda petróleo na região, indo de 79 mil bpd para 87 mil bpd, aumento de 10%.

Europa Ocidental

Essa região é conhecida por ter uma alta demanda pelo combustível, diferente da Europa Oriental analisada anteriormente.

Consumo total da região: 13.143 mil bpd para 13.486 mil bpd. Crescimento de 2,6%

Alemanha

Registrou queda em sua demanda de 0,7%, indo de 2.368 mil bpd para 2.351 mil bpd.

França*

O país é o segundo maior consumidor do bloco, viu sua demanda crescer no período verificado, indo de 1.692 mil bpd para 1.704 mil bpd, alta de 0,7%.

Holanda

O país que menos demanda petróleo na região, indo de 962 mil bpd para 928, uma queda de 3,5%.

Oriente Médio

Consumo total da região: 8.274 mil bpd para 8.329 mil bpd. Crescimento de 0,6%

Arábia Saudita

Além de maior produtor, a Arábia Saudita é o maior consumidor de sua região, mas registrou queda em sua demanda no período analisado de 6,5%, indo de 3.319 mil bpd para 3.105 mil bpd.

Irã*

O segundo país que mais demanda petróleo na região, indo de 1.795 mil bpd para 1.854 mil bpd, alta de 3,3%.

Síria

País que menos demanda petróleo na região, indo de 131 mil bpd para 147 mil bpd. Alta de 12,7%.

África

Consumo total da região: 3.992 mil bpd para 4.292 mil bpd. Crescimento de 7,5%

Egito

O país que mais demanda petróleo na região, registrou queda em seu consumo em 3,5%, indo de 823 mil bpd para 794 mil bpd.

Congo e Guiné Equatorial

Ambos têm uma margem de consumo similar, sendo que o Congo permaneceu com demanda de 8 mil bpd entre 2015 e 2018. E a Guiné Equatorial registrou queda em 37,5%, indo de 8 mil bpd para 5 mil bpd.

África do Sul*

Sendo o segundo em consumo, o país registrou aumento em sua demanda de 4,5%, indo de 642 mil bpd para 671 mil bpd.

Ásia e Oceania

Consumo total da região: 31.657 mil bpd para 34.102 mil bpd. Crescimento de 7,7%

China

Além de ser o maior consumidor de energia do bloco, é um dos maiores do mundo. Registrou alta em seu consumo de 10,7%, indo de 11.490 mil bpd para 12.712 mil bpd.

Nova Zelândia

O país tem uma baixa demanda por combustíveis fósseis, mas registrou aumento de 6,8%, indo de 161 mil bpd para 172 mil bpd.

 

Produção por país

Após analisar os dados por bloco, a DATAGRO também levantou os dados da OPEP por país, separando os menores e os maiores produtores por região de 2015 a 2018.

América do Norte

Produção total da região: 10.694 mil bpd para 12.238 mil bpd. Crescimento de 14,4%

EUA

O país aumentou sua produção em 16,2%, indo de 9.431 mil bpd para 10.962 mil bpd.

Canadá

Registrou aumento em sua produção em 1%, indo de 1.263 mil bpd para 1.276 mil bpd.

América Latina

Produção total da região: 9.714 mil bpd para 8.007 mil bpd. Queda de 17,5%

Brasil

A produção brasileira registrou aumento de 6,1%, indo de 2.437 mil bpd para 2.587 mil bpd.

Chile

Sua produção é pífia comparada a dos outros países da região, e registrou queda de 25%, indo de 4 mil bpd para 3 mil bpd.

Venezuela*

O país possui a maior reserva de petróleo do mundo, proporcionalmente, e viu sua produção cair durante o período em 43%, indo de 2.654 mil bpd para 1.510 mil bpd.

Europa Oriental e Eurásia

Produção total da região: 12.645 mil bpd para 13.166 mil bpd. Crescimento de 4,1%

Rússia
Uma das maiores potências energéticas do mundo, o país registrou aumento de sua produção em 4,12%, indo de 10.111 mil bpd para 10.527 mil bpd.

Ucrânia

O país que já tem uma produção baixa, registrou queda de 11,1%, indo de 32 mil bpd para 36 mil bpd.

Europa Ocidental

Como apontado anteriormente, a região demanda muito combustível fóssil, mas a sua capacidade produtiva não corresponde. Produção total da região: 2.899 mil bpd para 2.854 mil bpd. Queda de 1,5%.

Noruega

O país é o maior produtor da região, mas sua capacidade produtiva registrou queda de 5,2%, indo de 1.567 mil bpd para 1.485 mil bpd.

França

Além de menor produtor do bloco, o país registrou queda em 5,8%, indo de 17 mil bpd para 16 mil bpd.

Oriente Médio

Produção total da região: 24.494 mil bpd para 25.43 mil bpd. Crescimento de 5%

Arábia Saudita

Como mencionado, o país é um grande produtor da commodity e ela registrou alta no período analisado de 1,3%, indo de 10.193 mil bpd para 10.317 mil bpd.

Irã e Iraque

Ambos os países têm uma forte produção de petróleo e aumentaram seus volumes no período analisado em 12,7% e 25%, respectivamente. Saindo de 3.152 mil bpd para 3.553 mil bpd e 3.504 mil bpd para 4.410 mil bpd, nessa ordem.

Síria

Além de uma demanda pífia, o país registrou queda de 15,7% em sua produção de petróleo devido aos conflitos na região. Indo 19 mil bpd para 16 mil bpd.

África

Produção total da região: 7.020 mil bpd para 6.970 mil bpd. Crescimento de 0,5%

Nigéria

Maior produtor da região registrou queda em sua capacidade produtiva de 8,3%, indo de 1.748 mil bpd para 1.602 mil bpd.

Guiné Equatorial

Além de baixa demanda, o país, apesar de produtor, registra uma produção baixa e que caiu 35,5% no período analisado, indo de 185 mil bpd para 120 mil bpd.

Ásia e Oceania

Produção total da região: 7.613 mil bpd para 6.802 mil bpd. Queda de 10%

China

Além de ser o maior consumidor de energia do bloco, o país é o maior produtor. Porém, registrou queda de 11,9% no período, indo de 4.288 mil bpd para 3.781 mil bpd.

Nova Zelândia

Além da baixa demanda por combustíveis fósseis, a produção do país também é pífia e registrou queda de 41,4%, indo de 41 mil bpd para 24 mil bpd.

 

(* menção de país que tem destaque no mercado e/ou registrou movimento expressivo no balanço)